terça-feira, 27 de outubro de 2009

Automação


A respiração ensurdece
é chiado de TV fora do ar
Olhos baços fogem da cara
O sorriso estupra e ofende a face
O pulsar interno range velhices
faz faíscas com a fluição do sangue
Riso navalha
estapeia a verdade,
rasga a carne metalizada.


M.M.B.

sábado, 12 de setembro de 2009

Arroz e feijão

Sua boca, minha boca
meus lábios, sua pele
Suas mãos, meus seios
meus sussurros, seu salivar
Seus dentes, meus mamilos
meu calor seu arrepio
Sua língua, meu pescoço
minha respiração, seu arfar
Sua coxa... entre as minhas cativa
meu cetim, seus pêlos
Seu prazer, meuprazer
meu gemido,seudelírio
Sua rigidez, meu néctar... Nosso paraíso.


M.M.B

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Memórias de minhas primeiras leituras.


Tremia de frio na solitude de meu oitavo inverno.Sempre apreciei as baixas temperaturas, assim sentia minha calidez como se fora sinal de vida em mim.O Pica-pau me irritava e mais ainda as risadas que todos cuspiam no ar a cada “hehehehehe...” do pestilento e previsível animalzinho televisivo. Eu não tinha permissão pra mexer entre as coisas de minha irmã, mas nunca segui as regras, sempre as desvirtuei e quis afrontá-las só pelo prazer de fazê-lo. Sou filha caçula..caçulas têm prazer em irritar.Entre Júlias, Sabrinas e Biancas que sempre me pareceram mulheres sem nada a dizer, encontrei a voz masculina de William Somerset Maugham. Sempre me relacionei melhor com a objetividade masculina que com as complexidades femininas.Não imaginava possuir em minhas pequenas mãos pueris obra tão inquietante. Ao ler suas páginas de lutas redentoras, perguntas inquietantes, pensamento profundos acerca da morte e d’alma...não suporia, em minha ingenuidde de leitora exclusiva de cartilhas escolares, estar entrando no mundo da verdadeira leitura. Aquela que diz à alma, crava no peito e prende, suspende a respiração.Fio da navalha me parecia um nome irritante. Peguei-o porque queria afrontá-lo.Sempre mostrei a língua ao que me assutava. E facas, navalhas sempre provocaravam arrepios gélidos pela minha coluna. Lembro da sensção ímpar de aspirar o odoro mofado da sabedoria alí esquecida no meio das mulheres-papel.Como nenhuma Júlia, nenhuma Sabrina ou Bianca sequer dera uma piscadela ao Billy? Tomei-o pra mim. Entre tantos beijos sabidos, finais felizes iguais daqueles outros, minha irmã não sentiria falta. Não sentiu. Depois de Billy, a biblioteca antes gélida de minha escola parecia aconchegada pelo calor tênue de uma lareira. Tornou-se meu lugar preferido..antes mesmo que dentro de mim.Cada dia um livro, cada livro mais descobertas, mais sede, mais desprezo pelo animalzinho televisivo.Quando pensei que tudo nas letras era bom, descobri que alguns eram ainda mais saborosos. Aos 11 anos já trocara os programas infantis pelos jornais, o pique-esconde só me parecia interessante se soubesse que minha mãe pararia de repetir: “ Larga esse livro, vai brincar!”.Ler me transportava, fazia sentir plena, me ensinava sobre o Louvre desconhecido para minhas amigas de roda.Conheci os canais de Veneza em seus tempos gloriosos, sem ratos..rs. Caminhei por muitas estradas nas páginas lidas.Estradas de chão batido, estradas de concreto, estradas da alma. Na maioria delas, esquecia minha solitude ao lado de personagens que nasceram e morreram em páginas de papel, outros nasceram na vida e após morrerem nela, viveram nas linhas escritas.De repente, tudo se fez luz. E a luz veio da escuridão de Byron e Poe. Tornei-me amante da obscura, atormentada e tempestuosa arte de ambos. Lê-los me levou a Kafka, Nietszche... e todos me levaram a muitos outros caminhos.Na maioria das vezes jornadas solitárias,mas ainda assim únicas e povoadas, cheias do que eu ansiava. Assim dei meus titubeantes primeiros passos no mundo da leitura
.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Segredos que não quer o segredar

Em meu quarto-coração há solitude, cama, cortina e escuridão. Há, também, poesia e pijamas de flanela, camisolas de cetim.Há poemas e meias, há presenças e ausências ainda mais presentes...Há sonhos guardados da estante entre os livros..só por isso não há bolor.Pecados flutuam escondidos sob a cama.Culpas se encolhem embaixo do travesseiro. O amor guardei na gaveta secreta e dela perdi a chave.O medo, a dor e o choro estão largados na primeira gaveta ao lado da escova de dentes e das pílulas de desesperança, 100mg 2 vezes ao dia.

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Se você julga as pessoas, não tem tempo para amá-las."



Marku Twain

quinta-feira, 30 de abril de 2009

ABAIXO AS LETRAS, FAÇAM HINOS AO LIPSTICK!


Li o batom carmim e passei em meus lábios versos de Neruda. Ops.. há algo fora de lugar! É o mundo que está errado? Ou sou quem distoa do mundo?
Não é segredo aos amigos distantes que moro em um bucólico recanto no Sul catarinense.Nesse singelo lugar não há espaço para teatro, cinema ou quase qualquer outra demonstração de arte.Um obrigada descontente a rígida idéia germânica de trabalho, trabalho e.. trabalho. Aos meus amigos próximos fisicamente..não preciso explicar o marasmo cultural no qual estou metida até o último fio loiro/arruivado. BN, cidade vizinha, era minha parca tentativa de luz no fim do túnel.. em uma esquina ladrilhada entre umas das inúmeras farmácias destinadas a curar os males do estresse pela ausêcia de cultura ( essa é minha teoria: gente sem arte e cultura é gente doente ao extremo..aqui nessas bandas deve haver o maior número de farmácias por metro quadrado, já visto)..entre os fármacos e o açougue sanguinolento, eis que reluzia a meus olhos o paraído, o restaurante da alma: uma livraria. Nenhum dia houve em que eu tenha lá estado sem ter sido atendida imediatamente. O motivo? Competência da atendente enfadada? Nãooooooo.. simplesmente era a única no recinto em todas as incontáveis vezes.
Mas há uns dias, algo mudou.... apertei os passos e afrouxei um sorriso surpreso ao ver o entra e sai contínuo da porta que divisei ao longe. Meus pés já sabiam tão bem o caminho que bem poderia fechar os olhos ao caminhar. Quanta gente! Quanto movimento! Promoção de Nerudas? Allan Poe pela metade do preço? Ou Kafka está em promoção?
Nada disso... as bijuterias estilo indiano by Rede Globo estão em promoção. O rímel paraguaio causador de alergias está pela metade do preço. Se vc preferir uma bolsa nova, há de todo tipo e tamanho..ou vc pode, ainda, escolher um chaveirinho grotesco em formato de pênis ou vagina ( o primeiro espele um pseudo líquido grudento e esbranquiçado de um bom gosto quase britânico..afffffffff).
E o mundo parece estar como deveria: livros fora, quinquilharias dentro; conhecimento expulso, um ben venido a superficialidade.... festejemos, amigos, a derrocada do ser e a vitória do parecer.Bom...entrei.Comprei um delineador fajuto e escrevi com ele um poeminha tão fajuto quanto em uma pedra de meu quintal.
Li o batom carmim atentamente e passei em meus lábios versos de Neruda. Ops..há algo fora de lugar! É o mundo que está errado? Ou sou eu quem distoa do mundo?
M.M.B.
Regionalismo...[2]

Continua a saga em honra aos vernáculos catarinas!



ACARCAR: apertar
TÔ TISGA(O): há dois significados distintos que devem ser analisados seguno o tom de voz e a cara de safado(a) do indivíduo..rs 1. bravo, muito irritado(a) ou 2. em abstinência sexual ( nesse segundo caso, geralemnte o falante revira os olhos, olha de ladinho para alguma possibilidade passante pra sanar a seca sexual ou ainda morde os lábios com o pensamento distante..rs)
PARADA DO BUSÃO: ponto de ônibus
BORRACHUDO: mosquito
DAR UMA BANDA: dar uma volta, passear
BATER UM FIO: fazer uma ligação telefônica para alguém
TROVAR: mentir, debochar
ANDAR DI CARRÊTE: andar de braços dados, segundo os ancião sãoludgerenses 9isso significa que o cara vai ter que casar com a guria..kk)
ISTOPOR: pessoa imprestável, um idiota ou cara rude
BANZÉ: confusão
BIJU: pessoa bonita
CISCO: lixo
COSCA NO LOMBO: vontade de apanhar
EMPOMBADO: cismado
ÉS BOM PRO FOGO: vc não vale nada!
ESBUDEGADO: cansado ou amarrotado, mal arrumado
RALHAR: brigar
SE QUÉX QUÉX, SE NÃO QUÉX TEM QUEM QUÉ: se vc quer quer, senão há quem queira.OBS: o X é bem acentuado, quase carioca. Fala Típica de manézinho.
MANÉZINHO: rapaz nascido na ilha de Florianópolis - aliáx, Florianópolixxxx..rs)
TE ARRANCA DAÍ(AQUI): sai daí (aqui)
TIBINGA: diabo, capeta ou o nome que vc prefarir..é o coisa ruim lá.. o aspudinho.
TÁ PRA ROLO?: vai demorar?
POSTE DE PROSA: telefone público
ORELHÃO: telefone público
PASTILHA DE PROSA: cartão para uso em telefone público
ENVELOPE DE BOI RALADO: pastel de carne moída
NÉCA DE PITIBIRIBA: nada, absolutamente nada ( usado pra dar ênfase. Ex: seu salário aumentou? Néca de pitibiriba!)
BROXA: além do significado óbvio conhecido nacionalmente, em São Ludgero, esse termo se refere ( não me perguntem porquê, pois desconheço a explicação) a qualquer membro da família Werneck.
TÁ PRO CRIME?: tá animado (a)?



É isso por hj..

sábado, 18 de abril de 2009

Regionalismos..


Para quem pensa que só paulista, mineiro, baiano, carioca e gaúcho têm dicionário próprio... os catarinas se revelam..rs.


ABOBADO: pessoa metida à besta, exibido
BOBIÇA: coisa sem importância
CAXÃO PRO BILI: expressão que indica que algo deu muito errado
ENCARANGADO: com muito frio, congelando de firo
CLAPS: alçapão pra pegar passarinhos
COÇA: surra. Ex: Esse cara tá merecendo uma coça. ( uma surra, apanhar)
COMPRAR UM CHÔN: comprar um terreno ( coisa do Rio do Oeste...rs)
BIBA= gay masculino
SALTA POCINHA: biba
DÁ DE DEDO: tomar satisfação
DEMONHO: xingamento ( EX: Ô demônio!)
DEU? : tá pronto? acabou?
DEU GROTA: deu errado, mesmo que CAXÃO PRO BILI
FORA DA CASINHA: pessoa nada à ver, non sense. Pode ser usado pra dizer que se está distraído momentâneamente, também. EX:Esse piá é bem fora da casinha. ( cara bobo, babaca ou louco mesmo. EX: Desculpe, que vc disse? Eu tava fora da casinha. ( distraído, não prestei atenção)
DIPÉ: o mesmo que " à pé". ( Cheguei à pé)
DISAOJE: há pouco tempo ( Disaoje fui na padaria)
ÉÉÉÉÉÉÉÉGUA: interjeição de espanto. ( NOOOOOOSSA)
EMBACIADO: fala-se do vidro sujo
BACIO: privada
ESGANADO: egoísta, mão de vaca, sovina
FUQUI: fusca
GALEGA: loira
GANJUDO: manhoso(a), mimado(a)
GANGENTO: mesmo que GANJUDO
MEU CACO: meu fofo (a)
GURIA: moça
PIÁ: moço
INTICAR: provocar, debochar ou, ainda, cantar uma mulher ou homem de forma chula...cantadinha de pedreiro..
IR PRA PRAÇA: ir ao centro da cidade
METI A BOCA: chamou um monte de palavrão, soltou o verbo e disse cobras e lagartos
MEU CANÁRIO: a segunda palavra foi modififada pra não ficar chulo..rs
PARANHO: aquelas teias de aranha que ficam no canto da parede
PAU DE VIRÁ TRIPA: pessoa magra e alta demais
PÊCA: bolinha de gude
PERAI OU PERA: espera um pouco
PISÔ-SE: se machucou, se feriu
PRABUNITO: coisa sem utilidade
QUE PALHA: nada à ver, que fiasco
REINANDO: estar bravo
REINENTO: pessoa que fica sempre brava
CÓRGO: córrego
CÓRGUINHO: córrego pequeno
SE AFINOU: deu muita risada
RACHOU O BICO: mesmo que SE AFINOU
TÁCA-LO O PAU: ir depressa
TANÇO: pessoa pouco inteligente, um bocó, estúpido
COIÓ: mesmo que TANÇO
TÔ APURADO: com muita urgência de ir ao banheiro
TODAVIDA RETO? siga sempre em frente
VOU CHEGAR: estou indo embora, saindo
XILÓIDA: o mesmo que estilingue
FUNDA: mesmo que XILÓIDA
ZARCO: ônibus
ESTRAGAR O MONTINHO: tirar a virgindade
CONTACÊRA: mentira
PERIGO GRAU 1: TPM
TELA SENA: menina fácil, cede ( do verbo dar) de hora em hora




POR ENQUANTO É ISSO! APÓS MAIS PESQUISAS, A SAGA CONTINUA.
"O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever."

(Thomas Mann)